Protocolos de afiliação entre o Centro Hospitalar do Algarve e Centro Hospitalar Lisboa Norte permitem assegurar a prestação de Cuidados de Saúde de Proximidade de forma equitativa e com a máxima qualidade à população do Algarve
Se queremos resolver efetivamente os problemas das pessoas e melhorar o Serviço Nacional de Saúde, temos que nos entender, do ponto vista dos serviços de saúde. O caminho passa pela articulação dos serviços e do ponto vista clínico, articulação de cuidados.
Perante esta realidade foram encetadas reuniões entre os dirigentes e responsáveis regionais e hospitalares do país para fomentarem o trabalho em rede. O caminho começou a ser traçado no passado mês de junho com a assinatura de protocolos de afiliação entre as regiões de saúde e 15 hospitais a nível nacional.
A afiliação entre hospitais pretende criar as bases para uma articulação sustentada e eficiente dos serviços em prol dos cidadãos. Mas é mais do que isso. Mais do que uma ligação meramente ocasional e muitas vezes circunstancial entre duas unidades, afiliar tem subjacente a ideia de ligação duradoura assumindo uma carga condicional de quase familiar. Ou seja, afiliar é como entrar para uma família, é escolher fazer parte de um grupo maior.
Quando se entra para um grupo mesmo que não haja um passado comum, como é o caso dos nossos hospitais, há sempre uma intenção de um futuro comum.
É assim que devemos trabalhar. Unir esforços. Criar condições para o diálogo, procurar soluções, e trabalharmos juntos em prol do bem-estar da nossa população.
A partilha e as sinergias entre regiões e hospitais são cada vez mais importantes para melhorarmos os cuidados de saúde prestados.
Afiliação é um espaço de suporte, complementaridade e de partilha de responsabilidades e de recursos por isso mesmo não é um limite mas sim uma oportunidade. É um legado para crescermos, para sermos melhores.
Só desta forma, com o contributo de todos, é possível abraçarmos os desafios e as novas exigências que a medicina nos coloca no século XXI, apostando na inovação para reforçarmos a prestação dos cuidados de saúde com a máxima qualidade e eficiência a todos aqueles que necessitam.
Estes protocolos de afiliação pretendem reforçar e incentivar a cooperação entre os diferentes hospitais e regiões de saúde para em conjunto, responderem cada vez mais, de uma forma eficaz, efetiva e justa, às reais necessidades dos cidadãos.
As cinco vertentes essenciais em que assentam estes protocolos são a prestação de serviços de saúde, a cooperação técnica, troca de informação e do conhecimento, assim como a área da formação e de especialização, a partilha de profissionais, de formas de estar e de aprender entre os hospitais mais diferenciados e os menos diferenciados.
Além do apoio à formação e à diferenciação, estas parcerias assumem um papel basilar no aspeto organizacional, e constituem-se como um instrumento essencial para abertura dos hospitais, fomentando as relações intra e interinstitucionais. Vão contribuir, a médio prazo, para o desenvolvimento e a consolidação de instituições com uma cultura organizacional mais forte e um ambiente interno mais favorável à realização pessoal e profissional, o que, com profissionais motivados, permitirá prestar mais e melhores cuidados de saúde a todos os cidadãos, criando serviços de excelência com capacidade para prestar cuidados de proximidade adequados às necessidades em saúde.
No caso concreto do Algarve, a atual estratégia de cooperação intra-hospitalar no âmbito do protocolo de afiliação atualmente em vigor entre o Centro Hospitalar do Algarve e o Centro Hospitalar Lisboa Norte, patrocinado pela ARS Algarve e ARS Lisboa e Vale do Tejo, designadamente, nas áreas de Oncologia, Ortopedia, Cirurgia Vascular e Reumatologia, tem contribuído para ajudar as nossas unidades hospitalares a refundarem-se de uma forma planeada, sustentada, de forma a reduzir fortemente a transferência de doentes para fora da região, reforçando a sua capacidade de resposta de cuidados de proximidade.
No que respeita à área da Ortopedia, acresce ainda o criar de condições para a recuperação da idoneidade formativa nesta especialidade, a qual ficou comprometida aquando da última avaliação. No âmbito da cirurgia vascular, para além da vertente assistencial, a colaboração tem como objetivo a formação de profissionais e o apoio à criação de um serviço de Cirurgia Vascular, inexistente até à data no Algarve.
Outro aspeto fundamental é a aposta na área da investigação, que permitirá ajudar a criar serviços de referência com a diferenciação das unidades hospitalares mais distantes dos grandes centros urbanos e universitários promovendo a competitividade entre eles. No Algarve começam também a ser dados os primeiros passos firmes e concreto com a criação do Centro Académico do Algarve, numa parceria entre o Centro Hospitalar do Algarve e a Universidade do Algarve, que estamos convictos que num futuro próximo irá contribuir para a fixação de médicos na nossa região que, desta forma, poderão conciliar as suas carreiras médicas com a investigação e a carreira académica.
Artigo de opinião do Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Dr. Moura Reis publicado no Semanário Sol na edição de 19 de novembro de 2016



