Secretário de Estado da Saúde presidiu Cerimónia de abertura 11º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global

A aposta na educação para a redução do consumo de sal, o desenvolvimento de estratégias de prevenção e da promoção de estilos de vida mais saudáveis, na alteração dos comportamentos alimentares, do tabaco, do sedentarismo e no incentivo da prática de atividade física regular, são alguns dos temas em destaque no 11º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, organizado pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão, que junta cerca de mil profissionais de saúde nacionais e estrangeiros entre 9 e 12 de fevereiro de 2017 em Vilamoura, com o objetivo de debaterem e partilharem conhecimentos científicos, clínicos e inovações terapêuticas relacionadas com a hipertensão arterial e risco cardiovascular. A Cerimónia de abertura foi presidida pelo Secretário de Estado da Saúde, Dr. Manuel Delgado que aproveitou o momento para enaltecer «valor da formação médica portuguesa», destacando algumas das principais medidas implementadas pelo Ministério da Saúde ao longo do último ano para reforçar a prestação de cuidados de saúde de proximidade à população e aumentar a confiança no Serviço Nacional de Saúde.

No decorrer da cerimónia, que contou com a presença do Presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, Prof. Mesquita Bastos, da Presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Dra. Cristina Alcântara, do Dr. Albertino Damasceno em representação das comissões científicas da CPLP, o Secretário de Estado da Saúde elogiou a importância deste tipo de reuniões de cariz cientifico que «têm permitido que a medicina portuguesa acompanhe com distinção as aquisições cientificas e tecnológicas mais avançadas transpondo rapidamente para a prática clínica portuguesa e em beneficio da sua população as melhores práticas ao nível do diagnóstico, da terapêutica e da reabilitação», sublinhando que «os médicos portugueses podem contar com o reconhecimento do governo português e com todo o apoio possível para melhorar as suas condições de trabalho e de realização profissional dentro do Serviço Nacional de Saúde».

«Queremos um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, com infraestruturas e equipamentos modernizados, mas sobretudo com profissionais bem preparados, motivados e disponíveis para atingir níveis de eficiência e de produtividade mais satisfatórios», referiu o Dr. Manuel Delgado, destacando que ao longo do último ano houve um forte investimento do Ministério da Saúde no aumento do número de recursos humanos, no reforço da articulação entre os cuidados de saúde primários e cuidados de saúde hospitalares aliado a uma aposta da melhoria das infraestruturas e equipamentos, o que tem contribuído para reforçar a confiança no SNS mais seguro, com maior qualidade e «com mais valor acrescentado para os nossos concidadãos».

Neste sentido, o governante aproveitou o momento para lembrar que «a admissão de novos médicos no primeiro ano deste governo, entre a Medicina Geral e Familiar e especialistas hospitalares foi de cerca de mil novos profissionais. Um aumento de 3,6% face ao ano de 2015», «2016 foi também o ano em que entraram mais médicos no Ano Comum, 2080, e no internato das especialidades também com 1569 novos médicos. Estes números sem paralelo na história da formação médica em Portugal, perspetivam um futuro tranquilo na cobertura das necessidades médicas», assegurando que «queremos atribuir a cada português um médico de família e o caminho que estamos a percorrer vai num sentido muito positivo. No ano passado dotámos mais um milhão de portugueses com médico de família, num total de 1,8 milhões de utentes sem médico de família quando tomamos posse no fim de 2015».

Reconhecendo que «o grande desafio deste governo é fixar médicos em regiões do país mais carenciadas», o Secretário de Estado da Saúde, na sua intervenção, explicou que «hoje temos um contingente de mais de 27 500 médicos que trabalham no SNS. E importa olhar para estes números com ponderação e responsabilidade. Ou seja, temos de privilegiar regiões do país com mais dificuldades e mais carenciadas num processo bem articulado entre a Ordem dos Médicos, o Ministério da Saúde, os Hospitais, os Centros de Saúde e os Serviços. Os excessos e a falta de médicos são realidades absurdas que ainda convivem no território nacional. Fixar médicos em regiões do país mais carenciadas é um desafio que este governo assumiu quando publicou recentemente um decreto-lei contendo incentivos para este fim que incluíram mais remuneração, acesso à carreira mais rápido, mais tempo para formação, apoio à família e à mudança de residência».

«Este conjunto de incentivos poderão representar a médio prazo uma melhoria sensível na distribuição de recursos pela geografia nacional. Mas também importa referir que a prática médica também tem que evoluir para modelos mais compreensivos e integrados em que o valor acrescentado para os doentes, depende muito do trabalho de equipa plural das valências integrado nos procedimentos e na avaliação dos resultados», salientou.

Neste âmbito, o Dr. Manuel Delgado lembrou ainda que o Ministério da Saúde introduziu ainda em 2016 «o princípio da livre escolha e circulação dos doentes no SNS, o que permite ao doente escolher um hospital onde quer ser tratado. Este princípio exige das instituições e dos profissionais uma maior atenção sobre a concorrência, já que deixa de haver áreas de influência, o mesmo é dizer populações cativas. Os serviços que tiverem mais listas de espera, piores condições hoteleiras, demoras médias mais elevadas, taxas de infeções mais elevadas e piores resultados clínicos começarão a prazo ser preteridos. E isso terá com certeza consequências quanto à sua sustentabilidade e continuidade no futuro», deixando desta forma a garantia de que «queremos que os doentes façam escolhas informadas, com dados objetivos e descortináveis e as aplicações que hoje já disponibilizamos através do Portal do SNS são  bem ilustrativas deste empoderamento que queremos dar aos cidadãos. Caminhamos assim para um modelo de Saúde mais exigente com mais accountability dos políticos, mas também dos gestores, das instituições e dos profissionais. Contamos por isso com o vosso empenhamento, na certeza de que estamos a contribuir para um SNS com mais valor acrescentado para os nos concidadãos».

De referir que a educação e o panorama atual no que diz respeito ao consumo de sal em Portugal, as suas implicações económicas, políticas e de saúde pública, assim como estratégias de intervenção e combate ao elevado consumo de sal no nosso país, são os motes para a edição deste ano do Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, bem como o papel da Sociedade de Hipertensão nesta matéria, contando com a presença de especialistas nacionais e estrangeiros, com transmissão em tempo real e via online para congressistas de cinco países – Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe.

Esta edição conta também com a sessão conjunta da SPH com a European Society of Hypertension, onde vários especialistas internacionais vão abordar os últimos desenvolvimentos no tratamento da hipertensão arterial, assim como as sessões conjuntas entre a SPH e sociedades afins de outros países, nomeadamente Hungria, Roménia e Brasil.

Destaque para a apresentação «O estudo do pão do norte de Portugal» pelo Prof. Mesquita Bastos e para a apresentação «Consumo de sal em Portugal: Como se mede, que danos provoca e quais os grupos com maior ingestão» dirigida pelo Prof. Jorge Polónia.

De referir que este ano o Congresso Português de Hipertensão conta com a presença de dois grandes precursores da luta contra o consumo de sal, o Professor Fernando Pádua, fundador e presidente do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva e da Fundação Professor Fernando Pádua, e o Professor Graham MacGregor, presidente do Consensus Action on Salt and Health (CASH) e do World Action on Salt and Health (WASH).

O encerramento da 11ª Edição do Congresso Português de Hipertensão está marcado para o dia 12 de fevereiro com a conferência «Benefícios e encargos do tratamento anti-hipertensivo». Uma apresentação que fica a cargo do Professor Alberto Zanchetti, docente e investigador no Centro de Fisiologia Clínica e Hipertensão da Universidade de Milão, em Itália.

Publicado em: Sexta, 10/02/2017