A implementação do plano estratégico nacional dos Cuidados Paliativos no atual contexto da saúde, as diversas perspetivas para os Cuidados Paliativos no Serviço Nacional de Saúde, o papel que a formação assume nas diferentes vertentes dos Cuidados Paliativos, assim como, as principais prioridades na área académica e de investigação, foram os principais temas que estiveram em debate no II Fórum Clínico-Académico em Cuidados Paliativos das Regiões do Alentejo e Algarve, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com o apoio da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e das ARS do Alentejo e Algarve, no sábado, 11de março de 2017, na sala de reuniões do Hospital Espírito Santo de Évora, EPE.
No decorrer da sessão, que juntou cerca de meia centena de especialistas da área das Regiões de saúde do Algarve, do Alentejo, do Hospital Espírito Santo de Évora e da Escola Superior de Enfermagem de Portalegre, na presença dos Presidentes das ARS Algarve e ARS Alentejo, da Presidente do Conselho de Administração do Hospital Espírito Santo de Évora e da Presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, foram abordadas as principais prioridades na área académica e de investigação em Cuidados Paliativos com a apresentação de projetos e estudos realizados pelos serviços clínicos das respetivas unidades de saúde, seguindo-se, uma mesa redonda, onde os participantes tiveram oportunidade de ficar a conhecer melhor a experiência de cada uma das regiões de saúde e a sua estratégia para o desenvolvimento desta área no âmbito da implementação do plano estratégico nacional de Cuidados Paliativos.
De referir que o Algarve foi pioneiro na criação de equipas domiciliárias, quando, em 2007, foi formada a Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos do ACES Sotavento, uma das primeiras do país com cuidados ao domicílio. A equipa, que abrangia inicialmente os concelhos de Faro, Olhão e Tavira, passou a abranger a área do ACES Sotavento desde a reforma dos cuidados de saúde primários. O ACES Sotavento abrange os concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.
Atualmente, na área dos cuidados paliativos, encontram-se em funções a Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos do ACES Sotavento e a Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos do ACES do Barlavento que asseguram o apoio domiciliário a todos os utentes que necessitem de cuidados paliativos nos concelhos de Tavira, Vila Real de Santo António, Castro Marim, Alcoutim, Lagoa, Portimão, prevendo-se o alargamento concelho de Lagos. Está prevista a constituição de uma equipa de cuidados paliativos no ACES Central para breve.
O Algarve é a única região do país que conta com uma equipa de consultas de cuidados paliativos, no âmbito dos cuidados de saúde primários, disponível aos utentes no Centro de Saúde de Tavira. Esta consulta de cuidados paliativos permite que os utentes possam aceder à mesma, por iniciativa própria, ou através do seu médico de família, colocando este tipo de cuidados mais próximos do cidadão, melhorando a qualidade dos cuidados de saúde e a humanização dos serviços. Destina-se a doentes complexos mas que mantêm mobilidade e podem deslocar-se ao Centro de Saúde.
A nível hospitalar, temos duas equipas Intra-hospitalar de cuidados paliativos, uma em cada uma das unidades hospitalares do Centro Hospitalar do Algarve (uma no polo de Portimão e outra no polo de Faro). O Pólo de Portimão tem ainda uma Unidade de internamento em Cuidados Paliativos com 10 camas. A equipa intra-hospitalar do polo de Faro interna doentes em 15 camas de diversos serviços.
De destacar que no Algarve tem existido uma aposta eficaz no desenvolvimento dos cuidados paliativos, ao longo dos últimos dez anos, que tem contribuído para que esta seja uma das regiões do país com uma taxa de cobertura acima da média nacional e com um tempo médio de espera em cuidados paliativos de dois a três dias, sendo que no resto do país a média é de cerca de 20 dias.



